Mateus 22:11-14
“E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias.
E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.
Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”
A parábola do casamento, contada por Jesus em Mateus 22, tem uma exigência inusitada: traje a rigor. O convite foi feito a todos, sem distinção de condição social, e o mais interessante é que tudo já estava preparado, inclusive a vestimenta adequada para os convidados. Assim como aqueles paletós de reserva em restaurantes chiques, Deus nos oferece a roupa certa.
A graça de Deus nos convida a todos, e Ele já preparou tudo para nossa salvação. Você não precisa fazer ou trazer nada para desfrutar da vida eterna. No entanto, essa dádiva precisa ser aceita por inteiro, como um pacote que você recebe e assina. Você não pode aceitar a salvação pela metade.
O rei da parábola questiona um dos convidados sobre sua falta de traje, e ele fica em silêncio. Na presença de Deus, não há argumentos. Você pode enganar as pessoas, mas Deus sabe se sua fé é genuína. Só Ele pode distinguir o joio do trigo, e o fará no tempo certo. Por enquanto, genuínos e falsos convivem no mundo.
O traje a rigor não se trata de regras ou mandamentos que nos tornam merecedores da salvação, nem de zelo religioso. Os judeus, por exemplo, eram tão zelosos que tiraram o corpo de Jesus da cruz na sexta-feira para não violar o mandamento do sábado.
A falta do traje a rigor é mais parecida com a libertinagem: a ideia de que a graça de Deus pode ser aceita parcialmente. Isso não é possível. Aceitar o convite significa permitir ser vestido com a dignidade exigida para estar na presença de Deus. Quem não aceita a graça em sua totalidade tem o mesmo destino do convidado malvestido: ser amarrado e lançado nas trevas. Por isso Jesus diz que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.
Ao aceitar o convite, você concorda em deixar a velha roupa do lado de fora e vestir a nova. Você assina o recibo de um pacote que inclui ser revestido de Cristo, ser transformado à Sua semelhança e manifestar uma justiça prática que reflete a dignidade daquele que te salvou. Você concorda em vestir as vestes de justiça que Deus preparou.
A salvação pela graça não é um aval para viver como bem entender. Quem se converteu de verdade deseja agradar a Deus e faz isso como forma de gratidão. O cristão genuíno ama a Cristo e não quer decepcioná-lo. Isso é diferente do caso dos religiosos judeus, que, na próxima semana da narrativa, tentarão confundir Jesus com suas perguntas.
Deus o abençoe e tenha uma semana abençoada.
Att.
Celso Gameiro
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